Evangelho

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pe guilherme machado

Comentário ao Evangelho do Domingo de Pentecostes 31/05/2020 (Jo 20,19-23)

feito por Padre Guilherme* 

 

19Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”. 20Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. 21Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. 22E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. 23A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem não os perdoardes, eles lhes serão retidos”.


Podemos dividir este trecho em três partes: 1- Jesus aparece (v. 19 ); 2- Os discípulos O reconhecem e mudam de atitude (v. 20); 3- Uma missão é confiada aos discípulos (vv. 21 ao 23).

Embora Jesus seja o mesmo, inclusive trazendo as marcas da crucificação, Sua condição agora é diferente. Não existem mais limites para Sua presença. Ele foi, inclusive, capaz de entrar em um lugar onde as portas estavam fechadas.

Aconteceu uma transformação na vida dos discípulos. Se antes eles estavam amedrontados e escondidos por trás de portas trancadas, com a chegada de Jesus, sentiram alegria. A presença do Mestre e a consciência de que Ele não morreu e não foi vencido, mas venceu e ressuscitou, deu coragem e renovou a esperança. Paz e alegria são dons experimentados por quem acolhe a fé no Cristo ressuscitado. E somente pode ter esses sentimentos quem supera os apegos deste mundo, tornando-se livre para amar Deus.

Jesus concedeu a força do Espírito Santo e enviou os discípulos à missão. Essa missão é continuação da que foi iniciada por Ele. Assim como Jesus viveu Sua missão no nome d’Aquele que O enviou, os discípulos também são chamados a cumprir a missão em nome de Quem agora os enviou, o próprio Jesus.

Este episódio é cumprimento do que havia sido dito em Jo 14,12: “Em verdade, em verdade vos digo: Quem crê em mim fará as obras que eu faço, e até maiores”. Seguir Jesus é fazer a obra de Deus acontecer. Ou seja, continuar a missão d’Ele com a força do Espírito Santo.

O sopro de Jesus sobre os discípulos, que lembra o sopro de Deus quando criou o homem, é nova criação, renovação, nova vida. O dom do Espírito Santo recria o homem, arrancando-o do pecado.

Os discípulos experimentaram esse encontro com Jesus no primeiro dia da semana, isto é, no domingo. Para o povo judeu o dia que deveria ser dedicado ao Senhor era o sábado, lembrando o descanso de Deus no sétimo dia da criação. Mas com Jesus, inicia-se um tempo novo na fé. E o primeiro dia da semana é sinal desse recomeço, de uma nova era religiosa.

Jesus apareceu para os discípulos estando eles reunidos. A fé no Cristo ressuscitado é vivida comunitariamente. Não há como crer ou ter alguma relação com Deus de forma isolada.

Também foi dado aos discípulos a recomendação de perdoar pecados. E a Igreja vê nisso o fundamento do sacramento da Confissão. A ressurreição de Jesus abriu oportunidade para que as pessoas se reconciliem com Deus de forma sacramental, isto é, contando com a presença viva e real d’Aquele que concede o perdão.

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*Padre Guilherme da Silveira Machado é administrador paroquial na Paróquia de São Sebastião, em Leandro Ferreira.

 


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