pe guilherme machado

Comentário ao Evangelho do 29º Domingo do Tempo Comum 27/10/2019 (Lc 18,9-14)

feito por Padre Guilherme*

Naquele tempo, 9Jesus contou esta parábola para alguns que confiavam na sua própria justiça e desprezavam os outros: 10“Dois homens subiram ao Templo para rezar: um era fariseu, o outro cobrador de impostos. 11O fariseu, de pé, rezava assim em seu íntimo: ‘Ó Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens, ladrões, desonestos, adúlteros, nem como este cobrador de impostos. 12Eu jejuo duas vezes por semana, e dou o dízimo de toda a minha renda’. 13O cobrador de impostos, porém, ficou a distância, e nem se atrevia a levantar os olhos para o céu; mas batia no peito, dizendo: ‘Meu Deus, tem piedade de mim que sou pecador!’ 14Eu vos digo: este último voltou para casa justificado, o outro não. Pois quem se eleva será humilhado, e quem se humilha será elevado”.

Uma das características fortes no Evangelho de Lucas é mostrar Jesus contando histórias que apresentam comparação entre o jeito de ser de dois personagens principais. Como, por exemplo, na parábola do “pai misericordioso” (Lc 15,11-32) ou na parábola do “rico e do pobre Lázaro” (Lc 16,19-31).
Neste trecho, a intenção parece ser incentivar a humildade. Jesus descreveu o comportamento de dois personagens que ocupavam posições bem diferentes na sociedade daquele tempo. Posições extremamente opostas. Os fariseus eram um grupo de pessoas que acreditava que o cumprimento da lei religiosa implicava numa observância estrita dos preceitos. Como procuravam cumprir tudo conforme estabelecido, consideravam-se em posição superior. Já os cobradores de impostos eram pessoas de quem ninguém gostava. Primeiro, porque serviam ao império romano. Não raro, eram exploradores e desonestos. Também trabalhavam com dinheiro, coisa considerada impura. Assim, os cobradores ocupavam lugar semelhante ao dos grandes pecadores, pessoas consideradas desprezíveis, sobretudo por parte dos fariseus, que se julgavam tão corretos.
Os dois personagens, enquanto rezavam no Templo de Jerusalém, diziam realmente a verdade sobre si mesmos. O fariseu observava as práticas religiosas pagando seus dízimos. E o coletor de impostos reconhecia ser pecador. Mas enquanto o cobrador reconhecia sua condição e seus limites, aceitando que tinha no que melhorar, o fariseu olhava para si mesmo considerando-se todo pronto e não reconhecendo suas limitações.
A oposição entre os dois fica ainda mais evidente na maneira como rezavam. O fariseu permanecia em pé e de cabeça erguida, jeito bem característico dos judeus daquele tempo, dando graças e louvores a Deus. Jesus desmascarou essa oração que, mesmo parecendo devotada e piedosa, no fundo era mais uma justificação de um jeito de ser egoísta, que exaltava a si próprio, julgando-se melhor e desfazendo do semelhante. Parecia querer afirmar a existência de alguém em situação pior para poder sentir-se bem em relação a si mesmo.
O cobrador apresentava atitude mais acanhada e humilde. Em sua oração reconhecia seus erros e suplicava perdão.
A intenção de Jesus não foi criticar a dedicação religiosa do fariseu ou elogiar a vida incorreta do cobrador. A conclusão é inesperada: quem era detestado por todos, considerado inferior foi muito mais merecedor do perdão de Deus. O fariseu enxergava a justiça divina como uma conquista pessoal. Por parte do cobrador, essa justiça era recebida como um dom.
A misericórdia de Deus é dom e não conquista. O caminho que Jesus apresentou foi o da humildade de reconhecer as próprias limitações sem querer ser melhor nem desfazer dos semelhantes. Somente quem vive com essa atitude de fé pode viver uma conversão verdadeira e merecer o favor divino.

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*Padre Guilherme da Silveira Machado é administrador paroquial na Paróquia de São Sebastião, em Leandro Ferreira.

 

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