pe guilherme machado

Comentário ao Evangelho do 23o Domingo Comum 09-09-2018 (Mc 7,31-37)

feito por Padre Guilherme*

Naquele tempo, 31Jesus saiu de novo da região de Tiro, passou por Sidônia e continuou até o mar da Galileia, atravessando a região da Decápole. 32Trouxeram então um homem surdo, que falava com dificuldade, e pediram que Jesus lhe impusesse a mão. 33Jesus afastou-se com o homem, para fora da multidão; em seguida, colocou os dedos nos seus ouvidos, cuspiu e com a saliva tocou a língua dele. 34Olhando para o céu, suspirou e disse: “Efatá!”, que quer dizer: “Abre-te!” 35Imediatamente seus ouvidos se abriram, sua língua se soltou e ele começou a falar sem dificuldade. 36Jesus recomendou com insistência que não contassem a ninguém. Mas, quanto mais ele recomendava, mais eles divulgavam. 37Muito impressionados, diziam: “Ele tem feito bem todas as coisas: Aos surdos faz ouvir e aos mudos falar”.

COMENTÁRIO

Esta passagem do Evangelho de Marcos conta mais uma cura realizada por Jesus. Ele chama o homem surdo-mudo para um lugar afastado da multidão. E depois também pede ao homem, já curado, que não contasse a ninguém o acontecido. Vemos nisso uma preocupação que o acontecimento não chamasse muita atenção. Jesus agia assim não por medo, mas porque o segredo messiânico, ou seja, o entendimento a respeito de quem é Jesus, deveria ser revelado depois, com a proclamação de Seu Evangelho.

Embora uma cura como essa, de um homem surdo e mudo, fosse uma manifestação do amor de Deus, a preocupação maior de Jesus não era de ser reconhecido como um curandeiro mágico ou um realizador de milagres e prodígios. Até porque, naquele tempo, era muito comum a realização de curas através de meios desconhecidos ou surpreendentes para o povo.

Apesar de Jesus ter pedido ao homem curado que mantivesse segredo, a multidão proclamava com mais força a cura prodigiosa. A fala das pessoas, inclusive, faz lembrar profecias do Antigo Testamento a respeito de um Messias que faria com que os cegos enxergassem, os surdos ouvissem, os aleijados saltassem e a língua dos mudos cantassem (Is 35,5-6).

As referências de lugar, que são contadas logo no início da passagem, mostram que Jesus se dirigia para uma região considerada pagã para o povo daquele tempo. Na verdade, esse percurso que Jesus fez não era o caminho mais curto entre Tiro e o mar da Galileia. Passando pelo lugar chamado Sidônia, Ele estava dando uma grande volta. O que importa não é a lógica geográfica, mas o sentido: Jesus quis passar por um território considerado pagão e ali realizar um milagre.

É a salvação que se destina também às pessoas que são consideradas excluídas. Os gestos que Jesus fez pra realizar a cura podem nos parecer um tanto estranhos. Mas eram gestos típicos dos tratamentos populares do povo daquele tempo. Não se pode esquecer de que se tratava de um homem surdo. Em todos os milagres, Jesus sempre conversava com a pessoa a ser curada. O diálogo, a conversa, sempre tinham o objetivo de aproximar a pessoa de Jesus, para que a pessoa tivesse condições de se decidir pela fé. No caso do homem surdo, um diálogo seria impossível, a não ser através de gestos.

A preocupação maior de Jesus é o anúncio do amor de Deus. Porque toda pessoa que experimenta esse amor na vida, deixa de sentir sofrimento com as limitações da vida terrena. Quem descobre e sente esse amor não sente mais tristeza pelas deficiências, dificuldades... Podemos perceber assim o caráter libertador do amor de Deus, que é manifestado em Jesus. Esse milagre é uma demonstração do que o amor de Deus é capaz de realizar na vida de uma pessoa: a superação de seus limites.

Com essa cura, Jesus quis mostrar que quem se aproxima de Deus através d’Ele, quem busca sentir esse amor que Ele veio anunciar, é capaz de suportar as dificuldades da vida. Mesmo que alguma deficiência ou dificuldade ainda persista, a força desse amor é capaz de levar quem o experimenta a viver como se não tivesse limitação alguma. Na vida é bem possível observar pessoas que, mesmo com alguma limitação ou dificuldade em virtude de condições físicas, não têm nisso impedimento para ser felizes e realizados de muitas maneiras.

Com Jesus é possível alcançar felicidade, independentemente da situação de vida. Nele está a força que precisamos. E essa cura do homem surdo e mudo também lembra que muitas vezes é preciso pedir que Jesus abra nossos ouvidos do espírito para que possamos ouvir Sua voz. Assim, teremos coragem, alegria e capacidade de soltar nossas línguas para proclamar que Jesus é realmente o Senhor da nossa vida!.

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*Padre Guilherme da Silveira Machado é administrador paroquial na Paróquia de São Sebastião, em Leandro Ferreira.

Paróquia Sant'Ana de Itaúna

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